Home > Notícias > Artigos > Resolução 3380 versus Modelo Avançado – AMA
 

O Banco Central do Brasil faculta às organizações a utilização de abordagem avançada, baseada em Modelo Interno (Modelo AMA) para cálculo semestral do valor da parcela relativa ao cálculo do capital requerido para o Risco Operacional “RWAoama”. Para isso, as organizações que pretendam requerer tal procedimento, devem, não só solicitar aprovação/anuência ao BACEN como atender os requisitos mínimos, por ele estabelecidos através da Circular 3647 de março de 2013.

A proposta da Resolução 3380 é a de instalar nas instituições financeiras e, consequentemente no Grupo Econômico que as constitui, um “exercício” de reflexão sobre as possíveis incidências de riscos de natureza operacional que, potencialmente, possam vir a atingir as atividades da empresa.

As boas práticas de mercado indicam, assim como a resolução citada, que esse exercício seja difundido e praticado regularmente em todas as áreas da organização, como forma de se estabelecer consciência, num processo de aprimoramento contínuo, da existência dessa natureza de risco.
Ao contrário das outras resoluções que tratam de riscos em instituições financeiras, a 3380, não indica nenhuma métrica de quantificação de valor a ser provisionado como requerimento de capital. Esta questão é satisfeita através de circular específica, que determina o critério de quantificação da parcela de risco operacional “RWAopad” a ser incorporada no PRE (Patrimônio de Referência Exigido).
A Resolução 3380 foca primordialmente dois grandes processos nesse exercício de riscos:

  • Processo de Avaliação de Riscos Operacionais: que é uma atividade de reflexão a ser desenvolvida, pelo menos uma vez ao ano, pela organização como um todo. Essa reflexão diz respeito a um trabalho de identificação e avaliação dos riscos de natureza operacional que possam vir a ocorrer e ocasionar impactos negativos nos planos da empresa (perdas); e
  • Processo de Registro de Incidentes de natureza operacional e legal: que é um processo constante de registro, através de todas as áreas e atividades praticadas pela instituição, das ocorrências de incidentes de natureza operacional e legal, além dos valores, reais e/ou estimados, que envolveram esses incidentes. Este último exercício irá constituir, ao longo do tempo aquilo que se convencionou designar de Base de Perdas da Organização.

Os requisitos para a abordagem AMA são extensos e consideravelmente complexos para serem cumpridos por instituições de médio e pequeno porte pois requerem, inclusive, uma equipe dedicada ao cumprimento das exigências. Os principais quesitos dizem respeito a:

  • Constituição de uma Base de Dados de Riscos Operacionais formada pelas informações especificadas como relevantes para o Modelo AMA (dados internos e externos de perdas operacionais, análise de cenários e indicadores relativos ao ambiente de negócios e de controles internos utilizados pela instituição);
  • A instituição deve adotar um processo consistente, tempestivo e abrangente para coletar, continuamente, dados relevantes para a Base de Dados de Risco Operacional;
  • Os critérios utilizados para identificar e coletar as informações que integrarão a base de cálculo devem estar formalmente especificados e refletidos em políticas e procedimentos vigentes na corporação;
  • Devem constar da base de cálculo eventos de perdas atreladas ao Risco de Crédito e ao Risco de Mercado quando as suas causas residam em incidentes de natureza operacional;
  • Deve ser incorporado sistema de mensuração de risco operacional integrado aos requisitos da Resolução 3380;
  • A Diretoria da instituição e o Conselho de Administração, se houver, devem aprovar e revisar os níveis de tolerância ao risco operacional da organização, avaliar os relatórios regularmente produzidos e observar se o gerenciamento do risco operacional é apropriadamente desempenhado.
  • A instituição que adotar o Modelo AMA deverá manter quantidade suficiente de profissionais qualificados, não só nas áreas de gestão de riscos como nas áreas de auditoria e de tecnologia de informação, assim como em outras que participem do processo de desenvolvimento, avaliação e validação do Modelo AMA na organização;
  • O Modelo AMA deve permitir o cálculo semestral da parcela de “RWAoama” para uma distribuição agregada de perdas com grau de confiança de 99,9% e período de manutenção de um ano; além de atender a critérios de granularidade, combinação dos elementos do modelo, premissas de distribuição, de correlação e dependência, de sensibilidade, entre outras, e
  • Comprovar seu uso no processo de gestão de riscos.

A Integral Trust apoia as instituições na formulação de uma metodologia, baseada em boas práticas do mercado, para o desenvolvimento desses processos bem como disponibiliza sistema de apoio, registro e gerenciamento das atividades estabelecidas nessa metodologia.